terça-feira, 27 de agosto de 2013

Horas:




Insistem em ser rápidas nos melhores momentos,
Insistem em arrastar-se, quando estais longe, ansiosas horas...
Insistem em me oferecer possibilidades, doces ou amargas em dias, em horas, em segundos...
Deixem-me em paz, quero viver o parar do segundo: O sorriso dos olhos por horas... paradas,
Deixem-me entrar, na madrugada ou no dia, nas horas
Deixem meu bem sorrir. É tão bom ver os minutos se desfazerem no ar...
Deixem de ser travessas com um pobre apaixonado pelos mínimos detalhes... Os Mares não são infinitos e lindos em suas águas como os tempos diversos em segundos ou milésimos de segundos? Eu poderia entrar no mar e no tempo por horas, flutuar no momento...
Então deixem-me horas, Tragam-ma Horas, Levem-ma horas....
Deixem-ma em eternos segundos aqui, Mais um pouquinho...  Só mais um tiquinho de  horas... Mares de segundos...

terça-feira, 20 de agosto de 2013

Juliette



Juliette, disse a si... Juliette, Juliette...
Porque faz assim consigo?
Se viu em frente ao espelho, como se quisesse enxergar-se,
Começou a perceber-se mais que antes.
Quem está em ti além de ti, Juliette?
Sabes como se diz sim e não, sabes, que eu sei...
Então porque escutas o que não és tu, Juliette?
Ter decisão também é ter solidão, pensou,
Porque daria a outro esse prazer de me pensar?
Seu caminho já era mais claro que antes...

Deitou-se e antes de dormir foi tomada por muitos pensamentos...
Lembrou de todas aquelas palavras que insistiam em te visitar em pensamento, lembrou-se dos imperativos, dúvidas, desejos, vontades, possibilidades, poesias... frases... palavras, letras... sons, cores... Estava quase adormecida quando lembrou de umas palavras:
                                 
                                                ...  Palavras faladas por ela lembrando algo que leu, sussurrado

Podemos sair por aí como dois desvendadores das manhãs, tardes e noites...
Podemos nos percorrer por entre curvas, calor, fantasias, rumores..
Podemos beber, alguma coisa, juntos... em nós escrever um conto,
Podemos cantar, andando por ai, cantando pros pombos nas praças,
Podemos nos divertir pelas ruas, fotografar as pessoas andando,
Podemos rir de nós mesmo fazendo besteiras por aí,
Podemos ensaiar uma aventura, podemos viver uma...
Podemos viver o dia e a noite,
Podemos tentar a ventura, podemos visitar amigos
Podemos abrir a ventana do mundo,
Podemos pintar uma tela multicor, sorrir, não fazer nada domingo de tarde... Podemos ter segredinhos, nossos.. nossas coisinhas secretas...
Ou apenas dançar... Um jazz, um samba, um amor, nós...
Esse seu olhar Juliette...

Juliette ouvia a sua voz, fechava os olhos e sorria... Lembrava-se daquela poesia,
Menina doce e ingênua, quase nua senão vestida...
Nua, solta, à deriva, vestida,  em um tabuleiro, como uma peça de xadrez,
As vezes caminhava em frente, as vezes de lado, as vezes voltava,
Como a rainha, diria, de copas, Vermelha, sutil como uma  princesa, seguindo uma linha desenhada.
Caminho apertado...

Juliette sabia o que dizia seu coração, sentia, recusava, chorava, pensava...
Até que percebeu que lutava contra si, duelava contra si, adormecida
Porque tão inocente e tão manipulada, Seguiria  sonhos  ou  imperativos?


Já se via imergindo em outro caminho que não o seu, sentia-se até impotente por não poder fazer algo sobre isso.
As vezes até queria sorrir e fingir que era apenas um sonho e que tudo voltaria a ser como antes, mas como seria se tudo já não era há alguns segundos ? Parece que o passar das horas pesava a ansiedade e dor das possibilidades. Mas como faria para vivenciar tudo aquilo e ainda ser feliz consigo ?
Então, adormecida, olhou no espelho, dentro de um sonho, e disse:
Juliette, "quem és tu" ?
Vai ser assim a vida inteira: avós, pais, amigos, conhecidos.... ?
Nesse momento, então, ela sentiu solidão.
Aquela solidão foi o inicio de si.
Juliette ainda chorava, ainda estava triste, ainda tinha os caminhos, ainda... Mas agora resolveu ter-se a si, resolveu ter solidão e resolver-se... Talvez tenha sido o caminho mais longo de sua vida, ou o mais curto, mas o iniciou. Ainda continuava cercada de todos, continuava amada, continuava belíssima como só ela era, mas agora tinha a si. Tinha-se em decisões.
Seu sonho era como o de Alice, revelador... era ela mais uma Alice, vendo-se a si...
Seriam todas as perguntas iguais e todas as respostas também, indagou-se?
 Sim... sim, pensou, assim como os novos livros surgem de antigas palavras....
Percebeu-se então em vários significados, contudo escolheu o seu... amou, sorriu, chorou, sofreu, novamente amou... Reconheceu-se.
Descobriu que seu nome era uma variação de um outro e que significava: Cheia de juventude.
Então acordou com uma voz chamando-te: Juliette... Juliette... Juliette
...
Pensou em prontamente levantar-se como fazia todos os dias, mas preferiu apenas responder. Ficou ali, ali mergulhada em seus pensamentos... tudo era novo...

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Já não sei



já não sei se...
Já não sei por onde...
Já nem sei de ti...
Já nem sei se quero,
Já não sei se chamo-te,
Já não sei se sinto,
Já não sei se resgato aquela vontade,
Já nem penso tanto naquelas músicas,
Já não quero mais misturar sua cores,
Já nem sei se falo,
Já não sei das cores, 
Já nem sei se...

Minha voz já estava ecoando...
Eu já nem te percebia,
Uma voz faltava no meu sonho,

Bela lembranças talvez me sirvam, 
Eu já nem te percebo, parece que fostes embora, fostes ?
Me diga qualquer coisa sobre nós...

                                  Já  não sei... 
                                                             Sobre nós... 
                                                                                        Já
                                                                                              nem
                                                                                                      sei...




terça-feira, 13 de agosto de 2013

Fuxico no ouvido:



Som de mar é que nem fuxico no ouvido,
Não tem como não gostar...
chiado sussurrado, segredinho miado
Parece fuxico de amor ao pé do ouvido:
Meu bem, ei, meu bem... vou fazer um fuxiquinho baixinho assim,
no seu ouvidinho...
Barulho de mar...
fuxico no ouvido...

sexta-feira, 26 de julho de 2013

O véu nos teus olhos

Ontem eu vi nítido o véu em teus olhos,
Parecia de um tecido fino e as vezes translúcido,
As intenções eram duas, preservar-se e revelar-se...
Que faria eu senão observar o teu movimento,
As vezes nos vejo assim, afinados, mesmo sem palavras,
Como se tudo estivesse ali posto, e não estava ?
Mas usas o véu, não sei se por me ver seguir o seu olhar,
não sei se por não poder ainda mostrar-se, por preservar-se, Por me hipnotizar, Cleópatra...

Quando te vi na roda dos delírios e sorrisos me preocupei,
Quando não me preocupa seu bem ?
Seu bem é meu bem,
Te vi ali em frente ao desconhecido,
Tive o medo dos que cuidam, Mas percebo que és onde queres, e nada posso te ser quando eres tu.
Mas era você que vivenciava afinal,
Atravessou a porta e sentiu...
Meu coração apertou quando não pude segurar sua mão,
Acredite, nem eu sabia que me preocupava tanto...

Fui seu, você bem sabe, conhece meu olhar,
 Me excedi, como fazem os apaixonados,
Me misturei no castanho que quando sorri se enche de lagrimas,
Por quem, porquê... não sei, mas isso me deixa inebriado
E você bem sabe....
As vezes leio poesias por tras do véu,
Poesias sem fim, poesias em castanhos ensolarados,
Poesias nos fios anelados, Poesias sem som,
E as vezes mais sonoras que um estrondo,

Acalma-me o coração com os olhos,
Já que tens o poder de disparar cada centimetro de mim,
Da-me um pouco do oléo da oliveira,
Da-me um pouco do riso das tardes infinitas,
Da-me o que queres que eu estou aqui,

Não sei se me desestabiliza para me curar,
Ou por cativar-me,
O que queres Nefertiti, o sol ?
Eu ví, meu bem, rainha das oliveiras,
A semente do óleo que me cura está aí,
Assim como o nascer e o por-do-sol,

Quando vejo, por segundos,  atrás do véu,
Sorriu, encanto-me, fico entorpecido...
Banha-me com o sol castanho,
Enrola-me nos anéis de saturno,
Deixa-me ver mais de ti,

Ví o véu nos teus olhos... Vi o espelho dos seu olhar,
Uma beleza estranha, uma mistura egípcia e árabe, como o esplendor das oliveiras...
Decifro-te...
Ou me devoras ?

terça-feira, 2 de julho de 2013

Pensando... Passando...

...Pensando...Passando pela dor....

Da pedra ao diamante, em meus olhos
Do bruto ao lapidado, em seu sorriso
Da nota à musica, em sua voz
Tudo é ao mesmo tempo, em nós...ou apenas em mim...
O tempo do momento, é presente, passando...
O momento,  Existe
....E seu olhar brilhando,
Seu retrato em meu pensamento,
Um Amor, uma ilusão, um adeus...

... Por uns segundos na madrugada...

quinta-feira, 13 de junho de 2013

Futuro do pretérito... Subversivo sintático, novo semântico...


Meu intimo condicional, Ser ia
No futuro e no pretérito, presente.
Com um imperativo seguido do não feito, Ser e ia...
Como, Ser ia, ficar ia, far ia, amar ia, viver ia, a vida contigo... Imagino...
Viver ia um delírio linguístico: namorar ia no mar uma Ser e ia... morar ia em mar... ia na praia morar a nova semântica... Pensar ia um delírio a beira do mar... ao soar do som do mar em meu ouvido... som de espumas...
Eu tentar ia fragmentar os edifícios fixos criados em meu corpo escrito. O verbo morar, subverter ia no futuro do pretérito. Reconstruir ia, então, uma nova casa do meu jeito para melhor me olhar e me enxergar na ação, no amar, no morar, no ser...
A mar ia na beira da praia... Viver ia à beira-mar
O verbo é e ser ia com o bom e o belo... a possibilidade, o sim e o não.
Para o Mar ia na espuma me banhar: chegar ia, dissolver ia, sumir ia dentro do mar... E novamente voltar ia... Livre como uma onda.
Se na possibilidade do verbo amar... pudesse eu mudar a semântica, o faria..
E a mar ia na praia, na areia, em qualquer lugar quanto possível, viver ia a possibilidade da Morada ao lado do Mar, sentindo cheiro de Mares ia. Juntar ia essas palavras em sonoridades... Convidar ia um par a uni-se a mim em um namoro semântico.
O verbo amar poder ia em nosso mundo ser um artigo, a, e um substantivo, mar, e o sufixo pender ia para o não tirar a possibilidade da ação.
Se amar é uma ação, então eu o faria no presente de fato, na ação, e não apenas no futuro do pretérito, pois esse nada mais é que uma ilusão no presente... Então separar ia o sufixo e viver ia a ação. Eu  amar ia morar na praia, num paraíso, em qualquer lugar com a nova semântica...
Mas o amar não quer se largar de um artigo para ser mar, se o fosse, mar, ter ia outro sentido e eu juntar ia  o sufixo a uma preposição feminina... Formar ia o substantivo, apenas um substantivo escrito de diversas faces e lugares semânticos, eu sei. Incrível como as palavras podem ser tão sensitivas a quem ouve... A uma me aproximo em pensamento. A sua beleza é como a das flores e dos sorrisos... Deliro em sentidos, em meus sentidos e construções... No Latin uma junção, no grego um feminino, no hebraico um outro sentido... Quantos sentidos possíveis eu encontraria em um único substantivo próprio? Meu coração logo procurar ia um adjetivo e um verbo para formar uma frase... Faço-te e percebo-te nessa semântica.
Mas nada disso me resta, apenas o não ser, para amar.Vestido eu fui de sintaxes impostas por Outros em modos de viver, fixos e imóveis, sintáticos. Mas subverti e fiquei nu, semântico em mim mesmo, em auto-imagem rearrumada com minhas disposições.
Subverti a sintaxe para fazer-me ser em mim mesmo, a arte, o outro e meu olhar em EU... sei que isso soa mal, dever ia ser "em mim" pra fazer-se esperada à sintaxe, o juízo.
Eu, então, sou. Sou o mEU intimo condicional, criando uma nova disposição junto à ordem.
No pretérito, por um momento, quem sabe, já fui. Mas no futuro me restou o triste lugar vazio... Pois estou no presento, EU sou!
No presente eu me afirmo, EU sou, e subverto os outros  para viver o imperativo: amar a mim e depois ao outro como a mim, um movimento de autoconhecimento e outro de relação... Me vi de fora e voltei, refiz a casa. Aprendi a ser sintático, também posso saciar aos outros e às regras por conviver, mas não por viver em todo.
Mas não quero ser um imperativo, pois nada quero de imposição ao substantivo que é por si, o nome.
Quero apenas o presente de poder ter o nome junto ao meu e um caso eterno de amor... nas palavras fluidas e transparentes como o  mar. Em mar ia na água me banhar, me dissolver, ser a língua dentro da semântica...
Contudo, resta-me a tristeza dos fatos, a melancolia nas horas, a inflexibilidade da sintaxe e do dito inscrito em ti, formalidade... Mas respiro, me reconheço, reelaboro semânticas.... E  eis que o presente é novo...
Quer ia eu subverter o futuro do pretérito e formar um inexplicável. Quero andar criando um novo compreensível... Eu e Tu. Então o nós.
Ah, então Eu ser ia teu, Tu sereia minha: um sonho bom... o meu nome e o outro nome, unidos, singulares, anônimos em um sonho semântico... Um lugar onírico com delírios do imperativo amar. Subverter ia mos não por si só o fazer, mas para construir um lugar chamado: Amar.