quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Ouro de tolo


A dominação é camaleônica, polida, sã, doce e sensata... brilha como ouro de tolo


... Numa conversa no café da manhã ela disse umas palavras com ar de felicidade , gabando-se:
- Ele me tratava como uma rainha, nunca precisava sair de casa para comprar nada, ele me dava tudo.
Não precisava falar com as pessoas nos lugares onde íamos, ele falava por nós. Tinha uma vida de boneca de porcelana, realizada... tinha roupas, filhos, casa, cozinha e quarto, uma maravilha...
Mas seu semblante por um segundo entristeceu, mas com a ternura de sempre...
- Ele era ciumento demais, não queria que eu falasse com as pessoas, as vezes era áspero com as palavras, eu não entendia bem tudo aquilo, mas o amava mesmo assim.
Hoje com 70 e poucos anos ela recorda seus poucos e bons momentos, um tempo que nunca voltará atrás... A sua doce juventude foi envolta de palavras lindas, uma boa educação , por uma vida de princesa. Ao final do café ela suspirou fundo e quase sorriu, não sei se de felicidade ou de costume, navegou fundo em suas lembranças... doce lembranças, com gosto de chocolate amargo, com brilhos de ouro nos olhos saudosos, quietos... reflexivos. Lembranças que não voltam mais.

... A marcha fúnebre tocava num rádio ligado na sala ao lado, baixinho, quase imperceptível aos ouvidos desatentos, eles falavam alto entre si, como nas famílias felizes e tradicionais numa mesa de café, falando sobre o cotidiano, sorrindo e alimentando-se do pão de todos os dias...

terça-feira, 9 de outubro de 2012

A casa dos sonhos..


... A casa do sonhos fabricou uma verdade,
A cabeça pensou, os olhos estavam fixos e a respiração devagar,
Com uma seriedade de quem vive um luto,
Batendo com o dedo na mesa em movimentos repetidos,
Eis a mulher branca, pensando, pensando, pensando..
Os seus cabelos brancos, experientes, indecisos no vento,
Seus pensamentos são mais juras do que certezas....
E a palavra entrega o jogo....
Que jogo, o da vida, o da verdade, o das palavras ?
Sem saber ao certo o que fazer ela suspira...
" Tantos anos de vida, e uma realidade sofrida,
Tanto gosto pra criar esses filhos, e o desgosto me assola."
O medo da solidão está ao seu  lado. Tão velho quanto o mundo...
E nos seus olhos as lagrimas chegam... um filho bruto e controlador, uma filha louca e
presa por um crime... Triste realidade.
Mas a esperança ainda assim embrulha o seu estomago junto com a angustia...
Uma náusea querendo ser vomitada, expulsa do corpo já desgastado...
Mas a casa dos sonhos não para...



segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Ninfa do lácio


... A Ninfa do Lácio chega com a primavera,
Dourada e com tons avermelhados, é uma confusão aos meus sentidos.
Sentidos unidos, perdidos, tácitos, quase que fixados.
 Seus tons são tímidos como um inicio de primavera, mas radiantes...
Chega da uma febre no coração,
Quantas formas, curvas, silêncio e sintonia,
A terra está fértil e  pronta  nascer o novo,
Os pássaros parecem que sentem o seu ar silencioso,
Então chegam e cantam para que o amor brote das flores...
O brilho chega intenso, parece que perdido no vento, a paixão e seus ardores,
No silêncio arranca do amante não as palavras, mas o sentir do fundo da alma...
Transpirando amores vermelhos, amores de primavera...
No palco do desejo a atriz é ninfa,
E a cena é vida entre os tons e ardores que no cheiro, no gosto e na pele querem saciar o desejo,
Onde tudo se encontra, onde tudo se encanta,
Para brilhar num instante ou numa vida inteira...
...A Ninfa do Lácio chega com a primavera,




domingo, 16 de setembro de 2012

Triste realidade numérica

1, 2, 3... infinito
Sinto, logo racionalizo. Estou aprisionado ao paradigma lançado sobre mim para formar um amalgama.
Acredito com tanta certeza e veracidade, que até penso que sinto e sinto que penso. Sinto as palavras e métodos como se fosse o vento, a luz, a água. Doce realidade, até parece que é doce.
Vejo, quero, experimento, sofro... Quase nada, mas se penso... Ah!, então encontro o caminho, a verdade, portanto, desvendada. Entre incógnitas, símbolos e sensações o tempo passa, mas o paradigma permanece, e de fato, nem se sente... Tudo lançado sobre mim, prosas, versos, sonhos, incertezas e muitas dúvidas, contudo, sinto, logo racionalizo... Pairando em fetiches teóricos, eu vou ... triste realidade numérica : 1, 2, 3... infinito

domingo, 2 de setembro de 2012

Representações Sociais


Auto-retrato do artista - Courbet

Dê-me esse objeto, por favor,
Me dá uma água, aê...
Sente-se e preste atenção, só vou dizer uma vez!
Ah, desse jeito vou me apaixonar por você  :D
Por favor, pare de estupidez!
Viver é simples, é natural, é quase um fluir...
Representar, o quê ? Quem está fazendo isso agora ?
Courbet
Eu, Você, Eles.... Mentira, Isso é apenas uma grande mentira...
Por favor, Quando se referir a mim, seja mais objetivo, Não sabe agir assim ?
... E o mundo gira, e as pessoas atuam, E os atores representam, e a vida acontece...
Quanto amor, medo e ódio existem em mim, acho que preciso Postar um pouco mais minha voz, VOZ!
Brilho, meia luz, escuro, claro demais.... Por favor um pouco menos de luz, ela está excessiva nesse papel...
Mas porque tanto amor, meu bem, porque tanto ardor, porque tanto viver... porque a vida é assim!
Doce meia realidade, o seu outro lado é ainda mais um close que um sentir, ou é realmente o contrário ?
Deixe-me só, por favor, preciso pensar sobre meus sentidos, sentimentos, formas de agir, quanto e quantos papeis, escritos com letras, em um outro lugar perdido no mundo....

terça-feira, 28 de agosto de 2012

Pacificação Legitimada


Pacificadores, homens da lei..
Legitimados, vestidos de ideais,
Sorrindo em outdoors, aparentemente pacíficos, amigos, confiáveis,
Mas não é bem essa a realidade... Principalmente pra quem está na zona vermelha,
Zona vermelha, zona dos esteriótipos, zona dos maus, dos torpes, dos narcóticos,
Propagandas de tranquilidade, práticas de impunidade,
Armas apontadas para quem representa perigo social, o que é ensinado nas escolas e cobrado com armas,
Modos de viver, de consumir, de aparecer, de reluzir nos ares do ideal, do demarcado,
Pobres marginalizados, Transgredidos por representarem perigo,
Perigo a quem, a si mesmo? Sim! Já sabe até o modo de se vestir, tá tudo prescrito,
Câmeras nas ruas, casas "protegidas", representações garantidas...
Sonhos comprados com armas, dores pintadas de vermelho, ruas fechadas de medo,
Zona triste, chega dá medo, caras taxadas para morrer, caso não dance conforme o movimento ...
Estamos cada vez mais protegidos de nós mesmo, acostumados com sustos, prontos pra denunciar
mais uma impunidade para, enfim, a paz reinar...
Sorrisos nos rostos...
Disfarces perfeitos para o povo,
Pacificando as ruas, purificando as esquinas,
Comunidades atendidas, estendidas, vigiadas, protegidas, disfarçadas,
Ofendidas, taxadas, felizes, pacificadas,
Eu vi nos outdoors, agora nos sentimos protegidos,
Do vizinho, do amigo, de mim mesmo, mas nunca do governo...
Pacificadores, homens da lei...

domingo, 5 de agosto de 2012

Perdidas fagulhas de ti

Quando você sorriu, vi o sol se abrindo
Quando você virou pra mim, senti as fagulhas de fogo,
Quantas fagulhas perdidas de ti, perdidas no ar
Quantas delas me inundaram de ti,
Com você Tive viagens 1000, andei na velocidade da luz...
Quando você sorriu, vi fagulhas de ti...
Fagulhas ardentes, fagulhas da doce liberdade, fagulhas em segundos velozes..
Perdidas fagulhas de ti,
Meu bem, que doce impulso...