domingo, 11 de março de 2012

Sem querer


Sem querer, eu vi tua beleza sutil,
Sem querer, tratei de esconder meus olhos dos teus,
olhei para baixo, mas mesmo sem te encarar me revelei,
Sem querer, vi os meus sentidos roubados por ti naquela dança,
dança suave, com a ponta dos pés suspensos, com o corpo leve,
com a exatidão dos movimentos em passos livres, soltos no ar,
se foi querer, estou perdido, perdido em teus passos,
acredite, eu estava ainda mais antes de derramar essas palavras aqui,
Sem querer, pensei em você todo o trajeto de volta pra casa,
Sem querer, eu quis te ter,
Sem querer, sua boca se tornou irresistível,
Sem querer, meu riso se desprendia de mim ao te ver fazer qualquer coisa banal,
Sem querer, ouvi tua voz cantada,
Sem querer, eu fechei os olhos e viajei, e viajei...
Sem querer, eu me vi envolvido por teu jeito simples de ser,
e agora não sei o que será, além do meu desejo de te querer e querer...

sábado, 3 de março de 2012

Um homem brilhante!


Um homem brilhante, eloquente e bem distinto falava aos ouvintes, citava também, Era coerente e por suas palavras lançadas ao mar de pessoas. Esse homem pescava alguns bocados de admiradores, pobre daqueles que não sabiam nem entendiam de suas farsas. Um certo dia deixou escapar suas anotações em um papel rabiscado, o papel caiu de sua mesa empurradas pelo vento, então um jovem ouvinte, gentil, viu quando aconteceu e resolveu pegar o papel para devolve-lo, quando o jovem passou os olhos rapidamente percebeu suas anotações de frases feitas, frases dos outros, frases famosas, frases cotidianas para os homens de seu tempo! Ao receber aquele papel do jovem ficou desconcertado, ambos ficaram na verdade. Ele por revelar-se e o jovem por desacreditar-se!
 

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Perfumando-me de ti


Vou perfumar-me com o cheiro de sua pele
Esse cheiro que arde meu desejo e me entorpece
Cheiro de pele suada, meio perfumada, arrepiada e acalentada.
Enquanto sinto, reviro os olhos e sorriu despercebido para o nada,
Você se aproxima e então distancia-se, o vestido baila com o vento, a música não para.
E meus pensamentos Soltos encontram-te no ar, perfumada.
Aproxima-se, olha-me, sorrir com um batom vermelho e deixa os lábios entreabertos, expostos ao ar. Eu sinto o cheiro de seu hálito, do pescoço, do cabelo, isso é um delírio, um feitiço
O mar vai bailando e o rastro da luz tremula remexe-se nas suas águas quentes da noite.
Mar salgado e doce, um caminho pro infinito.
Um cheiro quase fatal, enquanto isso Led Zeppelin toca bem baixinho num radio ali ao lado...  


Incensando a vida.


Um incenso perfuma uma sala,
A essência se desprende da ponta em brasa,
O cheiro dispara, para, desloca, espalha...
Toma toda sala,
Há ideias soltas no ar como fumaça,
Sinto o aroma e revivo momentos, sorrio pro vento
Tenho uma idéia clara, sensata ou insensata,
Depois deixo ela ir embora de mim, solta como fumaça do incenso,
Essência incensada de um objeto que desperta a mente, que percebe o cheiro, que revive o desejo
O lugar da Identidade é o mundo inteiro,
A pele fica sensível ao toque do vento,
E da janela o céu mais iluminado, encandeia o pensamento,
Abre-se a janela da mente, A dor Retida esvai-se, a gente nem sente,
A vida se desprende das mãos e do desejo, passa a ser essência,
Com um incenso, desnaturaliza, Faz-se Fumaça, Libertando-se incensada!

domingo, 26 de fevereiro de 2012

Qual a razão da sua existência ?



Sem punição, tratamento ou controle pela razão, a fantasia pode estar no controle do que é real aos seus pensamentos. Imagine se quase tudo o que se tem de mais importante na sua vida inteira fosse apenas uma imagem, uma miragem... inventando, criando, vendo, materializando, vamos vivendo. Nessa construção de si mesmo, agredir a si e a quem se ama pode ser, por tanto, acreditar na ilusão. Não falo de atos violentos e cruéis, mas sim de palavras cruéis , de indiferença, de egoísmos, de formas de vivenciar e acreditar! Então, o que é real, senão a realidade ? O amor me parece realidade, mesmo que não o veja do lado de fora, talvez seja Ele o que separa as ações das ilusões, é quase uma outra coisa, um outro tudo," o extraordinário possível". Talvez você tenha uma razão que te dê prazer de imaginar e sonhar, talvez seja como um esquizofrênico que vê algo mais do que a realidade, talvez tenha delírios, talvez seja feliz por não ser racional... Qual a razão de sua existência?




Vejo o mar e o pôr-do-sol,
Dou nome às ações,
Creio nas palavras.
Sou uma invenção do Verbo, Existo!
Racionalizo o pensamento, Penso!
Ponho uma questão fantástica a tona: "Quem nasceu primeiro o ovo ou a galinha?"
Sorrio, bebo alguma coisa e volto a dormir!
Por um momento achei que era a realidade...

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Noites silenciosas


Umas noites silenciosas,
Eu perdido em arrependimentos,
Eu encontro o avesso, seu avesso,
Hora paro, hora desacredito naquelas palavras, hora me convenço de que é um processo,
Hora desconheço minhas intenções,
Sinto por hora um fardo calado, um som ensurdecedor que me transtorna,
Desamor desvendado num só olhar, apenas uma imagem da ilusão,
Apenas um passo para o esquecimento,
Tento ver na imagem algo além de uma representação,
Mas o que me resta ?
Apenas o silêncio e umas migalhas de arrependimento.
Tristes imagens de minhas noites silenciosas...
                             
  (...)





Numa dessas noites pensei:
Eu tinha medo de encontrar-te, passei suas folhas entre meus dedos, e meus olhos em seus detalhes, até senti o cheiro de suas páginas com poucas palavras.
agora que eu encontrei, tu não existes,  uma leitura veloz e turva,
Diga-me o que eu fiz, fechei as tuas páginas?
Porque hoje és o que me desconheço, És o latim,
Um avesso numa fôrma, com o mesmos olhos desenhados, por lápis ou caneta,
Um desenho sem propósito em folhas em branco. Agora sem brilho e sem o fogo de outrora, beleza surda, desprotegida palavra, apática sintonia, porem com o mesmo tom suave de sempre e muda como nunca...






sábado, 11 de fevereiro de 2012

Boas intenções


A doce verdade fala,
Quer ensinar o que é doce,
Quer ensinar a realidade,
Senhora identidade de si mesmo, quase imposta, quando não ingênua
Obrigado, mas quero me privar de tantas intenções,
Por favor respeite o meu desejo,
Seja você e me deixe ser o que Eu quero,
Obrigado por tanta preocupação,
Obrigado por insistir, mas não, Eu não me encontro aí!
Não é esse caminho que eu quero,
De bons conselhos, muitas vezes tenho outras impressões,
Obrigado, não preciso dessas boas palavras!
Boas, sublimes, imponentes, precisas, sedentas de mim, cheias de boas intenções,
Desvendo-te, sutil intenção!