quinta-feira, 14 de julho de 2011

Em segunda pessoa


No silêncio de tuas palavras sinto falta daquilo que já faz parte de mim, sinto tua falta.
Do tom da tua voz, tenho o eco em mim, ressoando palavras que me fazem sentir o que não se pode explicar.   A falta carrega em si um infinito de sensações, lembranças, desejos inacabados.
E eis o mundo em mim, cheio de peças por completar,criado pelo que espero de ti em mim, criado para que tu venhas completar. 
Tu que insistes em ser segunda pessoa, e eu querendo te conjugar em "nós" , querendo unir-me a ti...
Tu cantas e eu ouço o teu som com se rasgasses o vento,
Tu me beijas, eu abro os olhos, mas não te vejo,
Tu me olhas,
Tu vens como o vento, sorrateiro, tocas minha alma,  tocas meus sentimentos,
Tu chegas com ares de primavera,
Tu apagas os meus amores carnais,
Tu me ensinas sobre o que é mais importante,
Tua voz é como uma música, um cello que ressoa o ar e o rasga com suavidade,
Tu fazes tudo isso, e eu fico tentando tocar o chão... Pois meus pensamentos me enganam.
Tu realmente existes? As vezes acho que te criei em mim, por assim dizer...  sinto em mim o que tenho de você.
Não sei se tenho os teu sinais, não sei se estou só, sei que o vento ainda traz o cheiro de teus cabelos. Meus olhos fechados trazem seu sorriso, mas minha dor traz teu Adeus...
Dois barcos à deriva. E o vento bem que poderia te soprar para perto de mim... Porque o vento as vezes age tão aleatoriamente ? Porque te encontrei no meio do caminho ? Porque faço questão de te encontrar todos os dias em pensamentos vagos, inacabados...
As vezes acho que és um sonho, pois posso voar tão alto, posso te encontrar em teus braços, posso ter teu sorriso, e que sorriso lindo, meu Deus!
Em segunda pessoa, estás lá... e eu te querendo em primeira como se fosses minha, como se fosses uma comigo, como se pudesse te conjugar em Eu e Mim em "nós", como se pudesse te chamar, Meu amor... como se eu pudesse unir-te a mim....

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Voltando para casa...



Do banco ao lado da Janela, vejo carros que passam sem parar. A cidade grita em sua agonia de todos os fins de tarde, enquanto voltamos para nossos lares de um dia cansativo.
Enquanto os carros se movimentam, meus olhos ficam fixo, parados, observando os detalhes, observando uma mulher em outro banco: sua  pele negra , cor de mel , um olhar perdido no movimento da rua, enquanto o vento entra pela janela e toca seus cabelos como se quisesse levá-los longe. O  movimento do cabelo deixa visível o perfil do rosto, como se quisesse me mostrar a beleza aos poucos... Doses homeopáticas de charme, quase uma tortura para meus olhos ansiosos.
Do tom sua pele reflete a luz dourada, luzes da cidade. Então ela pega uma mecha do cabelo e começa a deslizar entre os dedos de uma das mãos. Um movimento aparentemente comum, se não fosse tão rico em detalhes para meus sentidos  atentos, então ela abaixa a  cabeça e seus olhos começam a catar palavras em um livro...
Quis me aproximar, e quando se quer se aproximar basta um pretexto para o inicio de uma conversa... Eu tinha quase cinco...
Sai do meu banco e me sentei ao lado dela, suspirei e disse algo. Daí a conversa fluiu.
Ela tinha um livro nas mãos, e esse umas palavras em outro idioma...  Vi rapidamente! Minha atenção foi roubada por sua beleza. Meus olhos  estavam tentando encontrar a dimensão de toda aquela beleza, daquele tom de pele tão lindo,  daquele sorriso, daquele charme ... Era como uma música...
Castanho, avelã, mel, chocolate, com tons reluzentes... Eu tentava orgaziar as idéias, e quem disse que tinha ordem naquela grande explosão ? Era como uma música...
Cachos pretos levados pelo vento, soltos, aleatórios...
Sorriso de perfil, com os lábios inferiores ligeiramente maiores que os superiores...
E eu tentando ouvir uma música, tentando dizer coisas com sentido, tentando esconder minha vontade de chegar mais perto...
Foi como uma música, como uma poesia... sem palavras, mas com tudo o que poderia me deixa extasiado...

sexta-feira, 10 de junho de 2011

A linha tênue entre o que é real e o que se imagina.



As vezes imaginamos o que gostaríamos que fosse real, As vezes idealizamos  a realidade, As vezes pensamos em forma de sonhos ou sonhamos coisas tão reais que até sentimos, ao ponto de acordarmos do sonho com um susto. Então olhamos em nossa volta e aquela suposta realidade some diante de nossos olhos.
Qual a linha entre o que se quer e o que é real ? Será que os sonhos são tão distantes de nossa realidade ?
Muitos sonhos movem o mundo, movem as vidas das pessoas, movem as pessoas às realizações. Como também existe a realidade que nem sempre é tão ideal, mas não ser o meu ideal não significa que não seja uma idealização de alguém, de uma forma de pensar e viver.
As vezes  olho pra uma pessoa e conversamos em olhares. é como se fosse um encontro virtual - do que queremos, do que  sonhamos ou desejamos - mas na realidade tudo muda, porque existe convenções idealizadas por alguém que são parte de um conjunto de regras sociais e que no final das contas barram o que eu e a pessoa queríamos ou desejávamos - realidades interferidas por idealizações ou seria o contrario ? -. Sonhos constroem a realidade e a realidade interfere nos sonhos. A partir desse ponto de vista começo a pensar em uma dependência ou complementação ou algo do tipo...
As vezes imagino que tudo poderia ser muito bom pra mim... Enquanto alguém sorri sozinho e realiza algo que foi muito bom pra si. As vezes sonho com a realidade, as vezes vejo um sonho se realizando... Eis a linha tênue entre o que é real e o que se imagina. uma linha quase invisível, mas graças a nossa realidade temos referenciais para sonhar, idealizar, imaginar e abstrair.
Um dia sonharam em voar...
Um dia alguém teve  saudade de ouvir a voz de quem está bem longe naquele exato momento...
Um dia um homem quis ir ao fundo do mar...
Um dia um homem quis pisar na lua...
Um dia quiseram curar uma doença aparentemente incurável ...
Um dia sonharam em transformar um sonho em Realidade..
Um dia o que se imaginava se tornou Real...
Será que alguém já pensou em uma realidade Ideal - imaginário - ?

segunda-feira, 6 de junho de 2011

A medida da Indecisão...

Imagem de -Dugleidy Santos - 

Pois é, Eis a indecisão que nos faz seres dúbios : em sentido, em desejos, em possibilidades, em momentos, enfim, no que representava algo importante para se vivenciar. Não que a vivência não ocorra nos momentos de indecisão, ela ocorrerá muitas vezes, mas não de maneira completa, sempre terá o outro lado - o desejo insatisfeito - . Por isso muitas vezes é necessário deixarmos os "serás e porqûes" e simplesmente tomarmos decisões. Devemos deixar que o caminho tome um rumo e que  sigamos esse rumo para enfim desfrutarmos da decisão. A medida que nos aproximamos uma situação com indecisão, vemos mais de uma possibilidade, então nos fazemos algumas perguntas : porque faremos isso, porque não aquilo, será que isso será bom, será que vai dar certo, porque não o outra opção ? O problema é que muitas vezes não fazemos nem um nem o outro. E o que acontece com esse situação, fica incompleta.
Muitas vezes me encontrei nessa vida bifurcada. Então desistir de ir em frente por tentar ser racional ou sentimental,  por ouvir os outros ou mesmo por não ter certeza. E o pior de tudo é quando olho pra trás e penso. Poderia ter sido ótimo seguir aquele caminho.
Que sensação estranha essa de querer tudo e não poder ter muito do que quero . É aí que entra o tempo, o espaço, os sentimentos, as ações e os diversos motivos que nos impedem de seguir dois caminhos. Sabe de uma coisa, as vezes tenho vontade de viver dois caminhos, as vezes quero viver dois caminhos, olhar quase tudo, pensar varias coisas , aproveitar de tudo, dentro de minhas possibilidades, é claro! Mas o que acontece, Muitas vezes não posso! Aí eu fico na falta, daquilo ou disso...
Estou acostumado a ver os dois lados, as possibilidades, as bifurcações nos rumos da vida. Muitas vezes me  encontro em situações embaraçosas. outras vezes tenho fazer escolhas: Carne ou peixe, amor ou ódio, Felicidade ou dor, castigo ou presente... Acredite, as vezes misturo as coisas no mesmo bolo. Os sabores são diversos, alguns são até melhores quando comparados ao tradicional outros nem tanto.
  Acho que nem sempre quero a ter decisões, ou será que muita vezes fujo delas ?
Creio que a medida indecisão é a própria dúvida . Quando existe certeza somos puntuais: sim sim, não não; Quero, não quero; Vou, não vou.
Pois é,  estou aprendendo a Ter decisões .Talvez as interferências dos outros em nossas decisões gerem muitas de nossas indecisões, Muitas vezes sabemos o  nosso caminho, porem resolvemos emprestar nossos ouvidos para uma palavra alheia, e ai tudo pode mudar... As vezes tenho certeza do que quero, mas também quero o outro caminho, Quem entende essas coisas ?
Para mim algumas vezes a indecisão e decisão tem a mesma medida.

terça-feira, 31 de maio de 2011

Qual Sua condição ?



Qual sua condição pra ser feliz ?
Qual sua condição para ter alguem por perto ?
Qual a condição pra que o outro o aceite ?
Qual a condição pra ser bom ou mau ?
Quantas condições são impostas para que coisas simples aconteçam ?
Qual é sua condição....
Quantos olhares perdidos sem ao menos dizerem um, olá tudo bem ?
Quantas pessoas não se tornaram nossos conhecidos ou amigos porque impomos uma condição para ter uma amizade ?
Quantas pessoas foram embora de nossas vidas porque simplesmente não estavam em nossas nossas condições de Bons para nós ?
(...)
Será que ele não vai achar legal ?
Será que ela vai gostar de meu jeito de ser ?
Será que ele vai me querer ?
Em que condição ?
(...)
Quantas coisas deixamos de viver por impor algumas condições ?

condição para se expressar.... até onde convém à sociedade
condição para sorrir.... sem gargalhar, por favor !

condição para amar...
condição para sofrer...
condição para chorar...
condição para falar...
Qual é a barreira que sua condição impõe para você ser, querer,  fazer.... viver ?

 Qual a sua condição ?





domingo, 29 de maio de 2011

O espelho d'água







Em uma manhã estava andando destraido. Foi então que  vi um espelho d’água. Percebi suas imagens se formando, refletindo seus movimentos, misturando-se umas com as outras, exibindo suas cores e formas, algumas se diluíam na água e outras se transformavam quando se aproximavam ou se distanciavam...
Vi pessoas andando o tempo todo de lá pra cá. Percebi formas estranhas nos lugares e nas pessoas. Uma coisa era muito curiosa: as imagens transmitidas pelas pessoas eram mutáveis e inconstantes, ao ponto de eu não conseguir identificar as suas faces... eram apenas um conjunto de pessoas desordenadas. Havia sentimentos ali, sentimentos que minava das pessoas e que fluíam entre elas. Tudo aquilo se confundia aos meus olhos, um emaranhado de seres em movimento com cores misturadas, quase uma ilusão.
Curioso que algumas pessoas cresciam demasiadamente no espelho d’água, enquanto umas eram estáveis e outras diminuíam. Essa dinâmica acontecia o tempo todo.

Em uns momentos eu via tudo aquilo se deformando diante de meus olhos, mas as pessoas agiam naturalmente. Enquanto umas pessoas iam para a profundidade das águas outras nem mergulhavam, enquanto uns sorriam outros choravam ou lamentavam, ou gritavam, ou amavam, ou até mesmo odiavam.
Quando reparei o outro lado, mais iluminado, vi o reflexo de umas faces -ainda turvas-, outras um pouco mais claras e outras bem escuras e imperceptíveis, mesmo sob a luz não eram conhecidas e identificadas as faces.O máximo que pude identificar foram modelos diferentes representados. Eram aparências de modelos estabelecidos, pelo menos aos meus olhos tinha algo estabelecido. Entretanto cada pessoa tinha um quê, algo que a diferenciava dos outros, cada um tinha suas singularidades.
Na superfície do espelho d’água ocorriam perturbações o tempo todo, logo não era possível definir os acontecimentos – dinâmicas interpessoais- como fatos puntuais ou precisos, como normalmente vemos alguns em jornais, livros e revistas. Contudo em um momento as águas se aquietaram e as pessoas pareciam acompanhar o movimento das águas, ficaram normais -como parecem o tempo todo-. Mas bastou eu dar uma piscada para tudo então mudar – dentro da normalidade ou anormalidade -.
E Eu lá diante de uma piscina, vendo o espelho d’água... parecia até que aquele lago de concreto era algo natural...

terça-feira, 3 de maio de 2011

Para melhor sentir a liberdade:



  Para melhor sentir a liberdade precisamos tirar o outro do controle de 

nós mesmo. Precisamos nos ver, nos perceber e nos sentir na direção de nós mesmo, precisamos sentir solidão em nossas decisões. Eis a hora de desembaraçarmos o vidro e ver o outro lado. E quando o outro lado for visível, então quebremos os vidros para sentir o que se via apenas. Chega uma hora em nossas vidas em que nossos sonhos falam mais alto, chega a hora em que nosso corpo pede pra sucumbir o obvio, pede para sofrer - na ausência - a dor de se desfazer de quase tudo o que parecia ser o bastante ou até mesmo tudo. Então o que era verdadeiro acaba por saltar do sufoco, um grito que se liberta, um desabafo que liberta, uma dor que estava do centro da barriga angustiando e sai pela boca. Então sentimos a desconstrução, sentimos a dor da perda, sentimos a quebra do que era a nossa vida, nos sentimos só, e isso é apenas o começo...
Caminhos tortos, mas enfim claros...
Sorriso simples e puros no íntimo da alma
Da dor se suma o amor ou seria do amor que se aprecia a dor ?
Mesmo assim é preciso se aventurar nas curvas tortuosas, sem medo, e com medo, mas se aventurando...
Viajando nos paraísos e por entre os rochedos pontiagudos.
Se cansando, chorando, querendo voltar atrás, querendo voar, querendo voltar, contudo querendo como nunca, voar alto.
As simbologias, as formas prontas e pré-estabelecidas começam a ser visíveis, então o corpo que já era revolucionário desde a infância, agora se descobre cheio do que ainda era impalpável...

Então os sonhos se misturam com a realidade, e descobrimos que ela era tão ideal quanto um sonho, porem de tão repedida e tão bem contada nos deliciávamos em suas necessidades como se fossem nossas. Só que chega a hora de pegar a tinta e pintar o papel, o chão, as paredes e o teto.
Entra em cena a revolução, que começa em nós mesmos.
Andando em rumos tortuosos, criando formas singulares, desobrigando o outro de nossas satisfações, aprendendo a nos amar de verdade, aprendendo a amar o próximo, aprendendo a liberdade.
E ainda assim será apenas o começo. Pois o fim não existe, a liberdade é o próprio fim em si mesma e em nós, sempre buscando...