quinta-feira, 21 de abril de 2011

Em segredo

psiu... tenho que falar baixinho.
passos calados
um olhar que passa despercebido e sem deixar pistas encontra o que satisfaz
os ouvidos estão atentos à voz que sacia
por dentro tem suspiros, arrepios, sinestesia... explodindo em segundos parados, em espaços divididos
um caminho se repete durante os dias, e nos acomodamos em lugares que ficam face a face
deixa-se despercebido o que se sente e um assunto qualquer acontece...
o corpo quase gritando: sorriso de canto de boca, mão se contorcendo, voz que não toma forma definida, palavras não ditas... só por estar perto ?
Mas por fora ainda se cobre o rosto...
psiu, o silêncio faz parte do segredo, mas só para quem está fora, porque onde o sangue escorre, sobressai o som, o som ensurdecedor.
Chega a madrugada e enquanto a noite toma os espaços algumas palavras tomam forma em uma poesia que apenas suspira o que arde no coração. A luz quase não existe, apenas onde se escreve... onde se bebe, onde toca um jazz ressoando ecos de sedução, de amor, de lembranças, de tanto querer.
 Esse Segredo mEU que de tanto ser sEU  acaba por não se endereçar. Mas alimenta o que tem sede e não se sacia.
Em segredo eu faço poesia, eu te chamo de meu bem, falo baixinho no seu ouvido,  sonho contigo...
Em segredo eu passo do seu lado e te percebo enquanto você apenas passa.


Ela

 Ela, a estrela da constelação de sagitário

Ela é pequenina, mas tem brilho imenso que explode em sua essência.

Ela tem cores que se misturam e confundem o meu olhar. Sua cor é azuverde, já não sei mais se observo ou fico pasmo com sua beleza.

Ela não precisa falar, mas tudo se completa em entendimento.
Ela cansou minhas vistas quando resolvi observar seus olhos.

Ela tem Chico, Elis, Amelie, Clarice...

Ela ficaria linda de batom vermelho

Ela me faz entender Pessoa, e ainda me explica o que tem em entrelinhas. "É fácil trocar as palavras, difícil é interpretar os silêncios.”

Quando Amelie desvendou seu destino aos meus olhos senti essa frase: "Estranho o destino dessa jovem mulher, privada dela mesma, porém, tão sensível ao charme das coisas simples da vida..."

Ela tem charme, também, mas ao seu modo, simples e doce na medida certa. Ou estará minha visão a beira do abismo do desejo, esperando ela incerta?

Ela é minha visão quando sai de si e me encontra em mim.

Tenho gostos estranhos, gosto do que me faz querer, gosto também de jogar pedras no lago as emoções, principalmente em dias de chuva, gosto do que não se percebe por todos, apenas para os íntimos, gosto de Navegar inventando Caminhos,olhares livres, límpidos, essenciais...

Ela tem todas as pistas, e eu? Estou atento a procurá-las.

Ela faz silêncio

Ela sorri pro vento.

Ela exala no ar sua essência.

E eu aqui, observando, sorrindo, experimentando o nunca o talvez ou ,quem sabe, o sim!









quinta-feira, 7 de abril de 2011

O que nasce dentro de nós


                                         
Chega ao ventre das emoçoes sem dizer nada, provoca espanto,convence, cria seu espaço em nós. Rompe a escuridão com o amanhecer.
Cresce e nos envolve, desenvolve, cria sensações e muda os rumos da não existência. Dá o passo para existir.
É como um sopro de vida dentro de nós. Até que o que era uma idéia se funde com nosso corpo.
Presenteamos-nos e somos presenteados com o crescer do novo em todas as manhãs. Assistimos mais uma vez o nascer do sol, quebrando a escuridão e criando cores no céu, no espaço que se escondia na escuridão, por dias seguidos...
E quando aquela novidade já faz parte de nós, quando se mistura com nossos sonhos, criamos um mundo de possibilidades, somos envolvidos por aquilo que já está envolvido por nós e que se alimenta do nosso corpo e nossa alma.
Mas enfim, o que nasceu em nós pode se desligar por um acaso. E se a fatalidade ocorre não sabemos o que fazer. Surge o vazio, a ausência imprevisível, o sufoco da alma, o frio, a angustia, surge o lugar onde ninguém deseja visitar.  Mas que às vezes é inevitável e nos encontra para mostrar o que é destino ou acaso.
 Contudo procuramos respostas, ficamos feridos e às vezes ficamos sem saída. Mas mesmo estando nesse lugar escuro com gosto de lagrimas, aprendemos sobre a essência de viver como também aprendemos a perder, a correr riscos, a tentar e a superar...  Nem sempre entendemos o porquê de perdermos um pedaço de nós. Mas o passar do tempo nos anestesia e nos conforta. Enfim surge o fôlego para continuar... Continuar o dia depois do amanhecer, mesmo quando o que nasce em nós já não tem mais vida, mesmo quando o eclipse transforma o dia em escuridão.

Gabriel Revlon

domingo, 27 de março de 2011

o que é :

Não é a mera definição. Então me pergunto e reflito:
O que não se pode ver
O que é preciso e é de fato antes de se tornar concreto
O que se passa pelas mãos e vai embora levando as lagrimas da perda, na verdade não se tratava do que é na essência ?
O que é abstrato quando se dilui em entrelinhas, destinos, crenças e sonhos
O que se vê, mas não se pode tocar
O que não se pode ver, mas se sente e se percebe
O que é concreto, tátil, sonoro e visível
O que é destino
O que é acaso
O que é real ou virtual
O que se pensa não poder , mas é
Então chega o que é - essa grande interrogação -  e toma se lugar.


inspirado na conversa com uma amiga: Gabi http://eunaosoulegal.blogspot.com/

Gabriel Revlon

sábado, 26 de março de 2011

Ontem, Eu e a Cidade.


Ontem eu me vi na Cidade, me confundi em suas avenidas, expressões, nos movimentos, na arte de viver cada momento. Ontem eu vi que a cidade não Para,
A cidade: esse lugar que é o homem, esses homens que são a cidade, essas ruas que são a cidade, essas cidade que tem ruas, essa paisagem que se confunde a todo momento ao ponto de eu não saber qual é a partícula fundamental de toda essa trama, de todas essas vidas, de todas essas formas, de todas essas expressões, de tudo o que se vê e daquilo que não se vê, mas se sente!
Ontem de noite estava andando pelas ruas de Itapuã
Ontem vi sorrisos, abraços, beijos e lágrimas,
Ontem vi um homem dormindo na rua,
Ontem eu conversei com pessoas,
Ontem vi pessoas se divertindo enquanto outras trabalhavam,
Ontem uma senhora vendia rosas vermelhas, uns olhavam para ela e negavam com a cabeça, outros nem a olhavam,
Ontem alguém morreu, e compraram flores para seu enterro, mas não foram rosas vermelhas.
Ontem o sopro da vida se anunciou para quem chegou ao mundo entre lagrimas e alegria,
Ontem pensei em desistir de tudo e fugir para bem longe – onde não há problemas – mas então percebi que esses problemas estavam comigo e fugir não seriam a solução.
Ontem andei pela cidade.
Ontem Falei com um desconhecido, nem sei se ele deu importância. Talvez tenha sido apenas função fática – olá olá , tchau tchau -
Ontem vivi momentos que não voltarão, e talvez eu sinta saudade, outros nem lembrarei.
Ontem olhei para o mar e pensei. Enquanto as ondas vêm e vão, a cidade não para...
Ontem pensei em dizer várias palavras para alguém, mas não as disse
Ontem me afoguei no cansaço dos dias normais e quando me percebi estava tenso, pálido, frio, calculista, quase uma maquina...
Ontem eu vi as maquinas que se movem na cidade.
Ontem conversei com uma pessoa muito especial.
Ontem eu acordei para viver mais um dia cotidiano.
Ontem eu vi o quanto o homem se esforça para não amar seu próximo, enquanto outros amam sem pedir nada em troca.
Ontem eu quase chorei, estava muito cansado de tudo, resolvi deitar e o fiz. Coloquei um fone no ouvido e comecei a ouvir uma música que me levou pra longe de tudo. Vi-me sorrindo e novamente me senti - Eu mesmo-.
Ontem eu vi a cidade se mover em ruas, becos, avenidas, lojas, lagrimas, sorrisos, olhares, fingimentos, amores, musicas, de quê eu estava falando mesmo? Ah, sim! Das várias formas de expressão da cidade? Não, não foi isso... Ah sim, falei que a cidade não para, falei de mim ?
Enfim, ontem eu vi a cidade em mim e me vi na cidade!

Gabriel Revlon

segunda-feira, 14 de março de 2011

Choque Alguém Hoje


                                                             
Mostre seu EU pra o mundo, Tira essa roupa toda, tira essa cara maqueada.
Sinta o mundo da forma que você queira, e quando te olharem de lado, Sorria!
Mude, Encare, impeça, aconteça, afirme, firme, desconstrua, Já!
Ande pelas ruas dando risadas, quando acharem estranha sua alegria, então gargalhe.
Mostre Sua cor, Sua pele, Seu Ser, Sua Essência pra quem quiser ver. Goste quem gostar.
Dê bom dia a um mendigo, Leia um livro, Leia poesia, Fale besteiras, fale verdades, mas fale algo, algo que choque uma pessoa. Mas por favor, nada de exageros!
A intenção não é reprimir nem construir nada, é de derrubar os edifícios. Mas tem que derrubar com força. Derrubem o edifício mais belo de todos, aquele que custou mais caro para mim e pra você.
Saia desse espelho e jogue ele pela janela.
Corte, pinte, rasgue, liberte.
Se nada resolver, Nasça novamente.
Crie palavras
Faça um texto diferente
Largue essa .... dessa TV!
Fale menos e haja mais, dê um abraço no seu irmão chato, Cante algo desafinado, mas cante como se fosse um astro ou uma estrela!
Fuja
Corra
Se desespere, arranque os cabelos e se acabe de rir disso.
Faça o Amor valer apena, faça aquela coisa que você senti que é certa, mas que por causa das pessoas você se esconde.
Desfirme, contripe, anstate, colonie, azume, sipaze, atanfe, e seja feliz!
Faça pelo menos uma coisa pra desconstruir o que te deixa fora de si mesmo e choque aquela pessoa que te reprime com um sorriso. Mas fala algo bem espalhafatoso para que ela fique atônita, assustada, louca de raiva por te ver sendo o que você ama ser, você mesmo.
Mostre seu EU pra o mundo, Tira essa roupa toda, tira essa cara maqueada. Fica nu, nu em sua alma para que transpareça pro mundo sua verdadeira essência!
Ah, não se esqueça. Fale sua linguagem independentemente do que alguém possa achar.
Só mais uma coisinha, você não acha muita invasão de ‘Eus’ Alguém está querendo achar, mandar ou pensar de você ?
Então Choque Alguém hoje!

Gabriel Revlon

sábado, 12 de março de 2011

Afrodite


                                                                 
                                                                 
       Vinda das espumas do mar, ela chegou ao amanhecer. Com muita energia, alegria, e muito decidida lançou seu olhar aos mortais. Pouco a pouco vários homens aos seus pés cantaram, pediram, tentaram, Mas em seu corpo e sua alma transpiravam e desejavam desafios. Ela não se encontrou em nenhum deles, sobrou-lhes apenas seu rastro.
Seu vestido era branco e quando a água do mar o tocava transparecia sensualidade, mas sua luz era forte e intensa ao ponto de não conseguirem, os homens, vê-la em essência. Alguns homens diziam que seu vestido era dourado, outros diziam que ela estava coberta por fogo incandescente com tom de ouro, outros não conseguiram descrever. Contudo às águas ainda percorriam seu corpo, ousadas, velozes, aflitas... Insistiam em derramar sobre sua pele. Dos seus lábios derramavam mel incandescente, e sua boca entreaberta sussurrava sua chegada, como se o ar não fosse suficiente para seus pulmões. Então seus olhos encontraram um mortal. O que teria de especial para que Afrodite o escolhesse? Sem explicação ela o levou para uma cachoeira e ficaram a sós. Sua decisão era o bastante.  Ao olhar para ele novamente não surgiram palavras, apenas certezas. Os olhos se fecharam (...) porem não se calaram. O som das águas gotejava sobre suas peles. E então eles se tocaram, confundiram-se, encontraram-se, beijaram-se...
Como violinos rasgando o ar ecoou o som de amar, então os violinos seguiram o compasso mais suave, um deles apenas dedilhava sons bem devagar, porem com a intensidade da imensidão, coisa que não se explica, que escorrega, purifica, acaricia, impede, mas logo pede e sufoca.
      Estava aquele Rapaz, diante da primavera, do verão, do calor e tremor... Entre corais e prazeres. Mas apesar de parecer impossível, impossível?  Não, senhores, foi mais real do que conto de fadas aos olhos de uma criança deslumbrada. Ela transpirava amor e desejo nos seus seis sentidos. E seu sexto sentido não foi revelado a nenhum outro mortal. Depois que eles se diluíram com as águas em forma de amor apenas restou um escrito em forma de texto poesia numa pedra a beira da cachoeira. Em uma língua indecifrável estava uma frase bem no final da pedra, nunca desvendada. dizem que ela foi uma dedicatória de Afrodite ao seu amado. Afrodite era viva e amável. Como a estação do ano era a primavera ela deixou em uma única flor seu cheiro puro, marcante e essencial.  Duas borboletas guardam esse segredo. O amor Deles dois ficou na eternidade.
Dizem que a partir de então todos os dias quando o sol nasce deixa um tom dourado e vermelho, e se prestarem muita atenção ouvirão o canto do amor de Afrodite e seu amado.

Gabriel Revlon