domingo, 13 de fevereiro de 2011

Quantos e quanto ?



Estive pensando:
Quanto se tem numa vida,
Quantas pessoas estão e são parte de nossa vida,
Quantos segundos são necessários para nos prendermos a algo e  quantos necessários para achar uma saída,
Quantos sonhos ainda cultivamos, quantos não são nossos,
Quantos amores vivemos e quantos nos ensinam a amar,
Quanto custou ter tudo que se conquistou,
Quanto se perde por não tentar,
Quanto se aprende quando a tem sede de conhecimento e humildade, além da simplicidade,
Quantas vidas estão em nossa vida,
Quantas conquistas, sofrimentos, perdões, duvidas e ilusões,
Quantas vezes nos encontramos em nós mesmos,
Quantos de nós... e quantos ?










Gabriel Revlon

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Do jeitinho dela:


Tudo dar-se um jeito.
Não há frescuras no caminho, muito menos eufemismos.
Ela vive todos os dias, amando, sorrindo, chorando, dançando e sentindo o mundo.
Quando o dia começa ela diz, Bom dia...
No correr do dia fala com a voz que acaricia, pede, sente e toca.
(...)
 Abraça-me, me aperta e se desprende em meu abraço como uma criança, confiando de olhos fechados.
Me deixa embaraçado com seu olhar e ainda assim me rouba um sorriso.
Sorri o seu sorriso faceiro, ensina-me  a ter sonhos e o mais incrível, a sonhar consigo seus sonhos.
Invade-me de forma suave que nem sinto o movimento.
Canta e recita poesia quando me diz palavras ao pé do ouvido.
Seu jeito é malemolente, simples, amável...  e ainda assim  inocente.
Menina ou mulher, não sei bem o que é. Mas sei que me rouba os sentidos quando dança, quando faz tudo errado, quando me irrita, quando brinca comigo, quando gosta de mim.
No jeitinho dela tem tango, romantismo, balé.  Tem de tudo um pouco.  Na verdade tem muito do popular, Um jeito baiano muito forte, o jeito das ruas, das avenidas puras e impuras, das artes feitas todos os dias, das diversas formar de sorrir e viver.

Todos os dias ela: Brinca, rima, une, nega, ama... Do jeitinho dela.


Gabriel Revlon

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Visceral





Homens domesticam uns aos outros, castigam uns aos outros, enganam uns aos outros. Eles querem o poder, são egoístas e impiedosos. Corrompem sua carne, sua sensibilidade, seu destino, seu sangue e seu suor.
Trabalham, sustentam, ostentam, matam uns aos outros.
Eles Lubrificam as máquinas com o óleo, o óleo das guerras e com seu suor.
 Acha que você está tendo um pesadelo?
Suas Vísceras são perfuradas pela ambição, pela discórdia, pelo desejo sanguinário do poder, por desejo ou até mesmo por prazer.
Seus corpos ficam expostos ao ar repleto de bactérias mortais – criadas por eles -, que invadem a carne e putrefazem as pernas, os braços e depois o corpo todo. Eles Fazem Armas biológicas, armas de destruição em massa, para mutilar uns aos outros.
Ainda acha que você está tendo um pesadelo?
Os homens fazem isso é muito mais: Por dinheiro, por prazer ou por acreditar que é o certo a se fazer. Eles se segregam, fragmentam seu espaço social, econômico, cultural e psicológico. Criam idéias e por ela derramam sangue.  
Os Homens vendem seu suor, seu corpo, suas vidas. Em busca de quê? De uma idéia, da manutenção das maquinas, de roupas novas, de belas jóias?
Corram, Corram, ou serão os próximos. Corram, ou estrangularão sua carne, tiraram seus sonhos, ensinarão tudo o que não é necessário.  Ou seria está à melhor maneira?
Estrangulamento visceral é só o começo.
Os homens pós-revolução industrial ganharam juntamente com a modernidade as doenças que sobrecarregam o corpo e a alma.
Sua mente é o foco, se não aceitar seu “destino” poderá ser o fim.
Estrangulamento visceral é só o começo.
Guerras, banalidades, estupros, dor, escravidão, moléstias, assassinatos, engano, ilusão, prazer, sofrimento, o que eles querem afinal?
Sua mente o foco.  Estrangulamento visceral é só o começo.




Gabriel Revlon

Tratando de minha dor existencial:
Com as lágrimas
Com sonhos de felicidade
Com conhaque
Com amor e ódio
Com a liberdade querendo saltar do meu corpo
Com um mundo que existe só em mim
Com a liberdade do seu sorriso
Com som de seu canto
Com as notas de dor em cada vez que me diz, amor !
Com saudade.
Às vezes prefiro não ver tudo o que acontece,
Para então sorrir ou tentar sorrir.
Ouço-te dizer, Amor!
E então acredito que ainda existe esperança.
Vejo muitos presos em si mesmo, prisões ambulantes.
Vejo abraços verdadeiros
Vejo a fome, a cede, a calor e o frio
E quando eu os sinto, é como se facas entrassem em minha carne.
Vejo o caminho de muitas pessoas para um único objetivo, será que elas não enxergam todos os outros?
Às vezes prefiro não sentir, mas então agradeço a Deus por sentir, pois senão eu seria com muitos dos que vivem sem ter sua própria dor existencial, voando sem ver suas próprias asas ou presos por suas próprias convicções.
Às vezes me sinto só, então pego o remédio para limpar minha própria ferida, tratando de minha dor existencial.
Porem ainda te ouço dizer, Amor!

Gabriel Revlon
Gabriel Revlon

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Um momento de solidão


Existem momentos da nossa vida em que a decisão é algo necessário e solitário em nós. Estamos tão acostumados a ter o outro como um espelho para nossas ações e recompensas, que nos abstemos do peso da decisão.
Bom, se somos os senhores de nossos destinos, por que isso acontece? A individualidade fica em segundo plano em meio ao social, até chegar o funil da decisão, até chegar o momento de solidão. Esse momento é só nosso, embora seja muitas vezes dor, aflição, medo, insegurança, ele é nosso. Não podemos dar esse direito aos outros. Se o fizéssemos então nossa essência seria jogada como dados por mão alheias ao vento, com infinitas possibilidades, mas não a nossa única e verdadeira!
Ser líder de si mesmo é ter solidão, não por rejeitar ao outro, mas por nos permitir a fazer o nosso próprio ser.
Cansei-me das formulas de viver, das formas de sonhos empacotas, das felicidades e dos prazeres comercializados. Precisamos tornar conscientes as nossas formas de decisão, para que sejam nossas. Mesmo que a dor seja o antídoto para nossa recompensa.
Eis um momento de solidão. Onde estamos no escuro, procurando a luz por caminhos não ensinados por ninguém, além de nós mesmos. O caminho solitário que nos constrói e nos guia. O doce ou amargo caminho da Decisão.

Gabriel Revlon

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Encontros e Aparências





Possivelmente ele falava a verdade, ela pensou. Mas tinha um papo de conquistador barato e dizia coisas do tipo: - com você é diferente. Ele falava de relacionamento serio e estável logo no primeiro encontro. Ela embarcava em seu “papo”, apesar de desconfiar do que ele dizia de forma tão clara, como se ela fosse a princesa encontrada naquele instante. Mas ela queria algo serio e estável, o que a deixava flexível a conversa.
A questão é que eles eram água e óleo, tentavam se misturar, mas era como se ele fosse de Marte e ela de Vênus...
Com o tempo da conversa as mascaras caíram. Apesar disso a conversa ficou empolgante. Ela falando sobre família, Relacionamento, Planos, sonhos... Já ele contava suas festas, baladas, sobre suas 10 ex-namoradas, além de outras coisas que fugiam o propósito da garota.
Até que com um gesto louvável, ele pegou nas mãos da garota. Ela olhou com um olhar de suspense. Lhe escapou até um sorriso.Ficou insegura e olhou meio sem jeito para ele. Então  ouviu uma cantada qualquer... Realmente, ele sabia como acabar com bons instantes. Mas ela insisti em uma conversa para sustentar a situação, mas o cara só dava furos.
Tomaram uma bebida e continuaram a falar sobre o cotidiano, então mais uma vez ele impressionou. No clímax de um olhar, ele a conquistou. A garota se ajeitou na cadeira e com o brilho nos olhos esperou um beijo ou um carinho. Com uma das mãos ele atendeu o celular e continuou segurando uma das mãos dela com a outra. Ela ficou desconcertada. Ele começou a falar com um “caso de uma festa de sábado à noite”, tinha um ar de conquistador barato. Uma lástima! Ficou falando no celular com monossílabos: Há, sim, é, foi, ontem... Ao final da conversa deu um sorriso amarelo, sem graça e pediu desculpas. estava na cara que era outra garota no celular.
Ela enfim largou a mão dele e mudou de assunto. Aquilo estava realmente acontecendo? Perguntava-se. Apesar de ficar insegura novamente ela esperou algo do rapaz, persistiu na idéia de ser conquistada. Não deu certo. Ficaram quietos durante um tempinho e então se levantaram e saíram. Mas fizeram isso de mãos dadas e sorrindo. Olhando toda aquela situação eu pensei. Quem entende essas coisas de conquista, encontros e aparências?

                                                                                                         Gabriel Revlon 


domingo, 26 de dezembro de 2010

Mergulhar








Um dia tive contato com o mar. Esse mar era lindo, infinito, parecia profundo e misterioso.


O contato visual foi o bastante pra me aproximar, as cores estavam em minha frente. Cores vivas, nas algas, nos peixes, na areia branca, nas ondas... Tive um contato com o som das ondas, aquele som me acalmou, deixou o dia sereno. Então entrei no mar. Senti uma mistura de sensações: Gosto de água do mar, cheiro da água, um friozinho logo no inicio, mas logo fiquei familiar com aquele ambiente. Era uma questão de aprendizagem. Tive o contato, o interesse, aceitação do novo. Tudo aquilo agora fazia parte de mim. Então me questionei. Qual o limite do ser e do estar? Eu senti a aceitação de meu corpo e interação dos meus pensamentos. Foi formidável!


A superfície era espetacular, com ondas pequenas medias e grandes. Muitas pessoas sorriam e outras estavam indiferentes ao ambiente. A presença das outras pessoas era secundária naquele momento, o meu momento. O reflexo do sol nas ondas, o horizonte, as próprias ondas se quebrando na praia, o nadar das pessoas na superfície, era animador. Então meu corpo já estava mergulhado e senti algo me tocando o braço, era um pequeno peixinho me convidando pra um mergulho. Ele era muito intimo daquele lugar ao ponto de não está na superfície, mas porque vivia  em lugar tão fundo?


Bom, o convide não poderia ser recusado, então de forma natural mergulhei de cabeça. Meu corpo já estava dentro de todo aquele ambiente, mas eu ainda não o sentia na sua essência completa. Mergulhei, mergulhei e mergulhei. Descobri o infinito que ainda não era conhecido por meus olhos e por minhas sensações.


Senti falta de ar e voltei a superfície, respirei e então fiz tudo aquilo novamente, aquele peixinho estava longe agora, só que me deixou um presente, seu rastro... Ao mergulhar ele se diluiu naquela imensidão. Ele era parte de tudo aquilo, ele era a complexidade e a simplicidade daquele momento e daquele oceano, era a fusão da unidade com a parte necessária. Uma mistura de ser e estar.


Percebi que mergulhar foi preciso, e hoje faz parte de mim. Sou um homem-peixe, e sinto o mar, sinto sua musica, seu cheiro, seu frio e calor, e quando me esqueço que estou no mar, lembro que nessa hora sou parte dele e que alguém deve está tendo seu primeiro contato, nesse momento. Alguém está mergulhando.


Algumas vezes vou à superfície para contemplar o pôr-do-sol, o amanhecer também. Só que logo sinto a vontade de voltar, porque pra mim, mergulhar se tornou necessário.






Gabriel Revlon