quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011


Tratando de minha dor existencial:
Com as lágrimas
Com sonhos de felicidade
Com conhaque
Com amor e ódio
Com a liberdade querendo saltar do meu corpo
Com um mundo que existe só em mim
Com a liberdade do seu sorriso
Com som de seu canto
Com as notas de dor em cada vez que me diz, amor !
Com saudade.
Às vezes prefiro não ver tudo o que acontece,
Para então sorrir ou tentar sorrir.
Ouço-te dizer, Amor!
E então acredito que ainda existe esperança.
Vejo muitos presos em si mesmo, prisões ambulantes.
Vejo abraços verdadeiros
Vejo a fome, a cede, a calor e o frio
E quando eu os sinto, é como se facas entrassem em minha carne.
Vejo o caminho de muitas pessoas para um único objetivo, será que elas não enxergam todos os outros?
Às vezes prefiro não sentir, mas então agradeço a Deus por sentir, pois senão eu seria com muitos dos que vivem sem ter sua própria dor existencial, voando sem ver suas próprias asas ou presos por suas próprias convicções.
Às vezes me sinto só, então pego o remédio para limpar minha própria ferida, tratando de minha dor existencial.
Porem ainda te ouço dizer, Amor!

Gabriel Revlon
Gabriel Revlon

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Um momento de solidão


Existem momentos da nossa vida em que a decisão é algo necessário e solitário em nós. Estamos tão acostumados a ter o outro como um espelho para nossas ações e recompensas, que nos abstemos do peso da decisão.
Bom, se somos os senhores de nossos destinos, por que isso acontece? A individualidade fica em segundo plano em meio ao social, até chegar o funil da decisão, até chegar o momento de solidão. Esse momento é só nosso, embora seja muitas vezes dor, aflição, medo, insegurança, ele é nosso. Não podemos dar esse direito aos outros. Se o fizéssemos então nossa essência seria jogada como dados por mão alheias ao vento, com infinitas possibilidades, mas não a nossa única e verdadeira!
Ser líder de si mesmo é ter solidão, não por rejeitar ao outro, mas por nos permitir a fazer o nosso próprio ser.
Cansei-me das formulas de viver, das formas de sonhos empacotas, das felicidades e dos prazeres comercializados. Precisamos tornar conscientes as nossas formas de decisão, para que sejam nossas. Mesmo que a dor seja o antídoto para nossa recompensa.
Eis um momento de solidão. Onde estamos no escuro, procurando a luz por caminhos não ensinados por ninguém, além de nós mesmos. O caminho solitário que nos constrói e nos guia. O doce ou amargo caminho da Decisão.

Gabriel Revlon

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Encontros e Aparências





Possivelmente ele falava a verdade, ela pensou. Mas tinha um papo de conquistador barato e dizia coisas do tipo: - com você é diferente. Ele falava de relacionamento serio e estável logo no primeiro encontro. Ela embarcava em seu “papo”, apesar de desconfiar do que ele dizia de forma tão clara, como se ela fosse a princesa encontrada naquele instante. Mas ela queria algo serio e estável, o que a deixava flexível a conversa.
A questão é que eles eram água e óleo, tentavam se misturar, mas era como se ele fosse de Marte e ela de Vênus...
Com o tempo da conversa as mascaras caíram. Apesar disso a conversa ficou empolgante. Ela falando sobre família, Relacionamento, Planos, sonhos... Já ele contava suas festas, baladas, sobre suas 10 ex-namoradas, além de outras coisas que fugiam o propósito da garota.
Até que com um gesto louvável, ele pegou nas mãos da garota. Ela olhou com um olhar de suspense. Lhe escapou até um sorriso.Ficou insegura e olhou meio sem jeito para ele. Então  ouviu uma cantada qualquer... Realmente, ele sabia como acabar com bons instantes. Mas ela insisti em uma conversa para sustentar a situação, mas o cara só dava furos.
Tomaram uma bebida e continuaram a falar sobre o cotidiano, então mais uma vez ele impressionou. No clímax de um olhar, ele a conquistou. A garota se ajeitou na cadeira e com o brilho nos olhos esperou um beijo ou um carinho. Com uma das mãos ele atendeu o celular e continuou segurando uma das mãos dela com a outra. Ela ficou desconcertada. Ele começou a falar com um “caso de uma festa de sábado à noite”, tinha um ar de conquistador barato. Uma lástima! Ficou falando no celular com monossílabos: Há, sim, é, foi, ontem... Ao final da conversa deu um sorriso amarelo, sem graça e pediu desculpas. estava na cara que era outra garota no celular.
Ela enfim largou a mão dele e mudou de assunto. Aquilo estava realmente acontecendo? Perguntava-se. Apesar de ficar insegura novamente ela esperou algo do rapaz, persistiu na idéia de ser conquistada. Não deu certo. Ficaram quietos durante um tempinho e então se levantaram e saíram. Mas fizeram isso de mãos dadas e sorrindo. Olhando toda aquela situação eu pensei. Quem entende essas coisas de conquista, encontros e aparências?

                                                                                                         Gabriel Revlon 


domingo, 26 de dezembro de 2010

Mergulhar








Um dia tive contato com o mar. Esse mar era lindo, infinito, parecia profundo e misterioso.


O contato visual foi o bastante pra me aproximar, as cores estavam em minha frente. Cores vivas, nas algas, nos peixes, na areia branca, nas ondas... Tive um contato com o som das ondas, aquele som me acalmou, deixou o dia sereno. Então entrei no mar. Senti uma mistura de sensações: Gosto de água do mar, cheiro da água, um friozinho logo no inicio, mas logo fiquei familiar com aquele ambiente. Era uma questão de aprendizagem. Tive o contato, o interesse, aceitação do novo. Tudo aquilo agora fazia parte de mim. Então me questionei. Qual o limite do ser e do estar? Eu senti a aceitação de meu corpo e interação dos meus pensamentos. Foi formidável!


A superfície era espetacular, com ondas pequenas medias e grandes. Muitas pessoas sorriam e outras estavam indiferentes ao ambiente. A presença das outras pessoas era secundária naquele momento, o meu momento. O reflexo do sol nas ondas, o horizonte, as próprias ondas se quebrando na praia, o nadar das pessoas na superfície, era animador. Então meu corpo já estava mergulhado e senti algo me tocando o braço, era um pequeno peixinho me convidando pra um mergulho. Ele era muito intimo daquele lugar ao ponto de não está na superfície, mas porque vivia  em lugar tão fundo?


Bom, o convide não poderia ser recusado, então de forma natural mergulhei de cabeça. Meu corpo já estava dentro de todo aquele ambiente, mas eu ainda não o sentia na sua essência completa. Mergulhei, mergulhei e mergulhei. Descobri o infinito que ainda não era conhecido por meus olhos e por minhas sensações.


Senti falta de ar e voltei a superfície, respirei e então fiz tudo aquilo novamente, aquele peixinho estava longe agora, só que me deixou um presente, seu rastro... Ao mergulhar ele se diluiu naquela imensidão. Ele era parte de tudo aquilo, ele era a complexidade e a simplicidade daquele momento e daquele oceano, era a fusão da unidade com a parte necessária. Uma mistura de ser e estar.


Percebi que mergulhar foi preciso, e hoje faz parte de mim. Sou um homem-peixe, e sinto o mar, sinto sua musica, seu cheiro, seu frio e calor, e quando me esqueço que estou no mar, lembro que nessa hora sou parte dele e que alguém deve está tendo seu primeiro contato, nesse momento. Alguém está mergulhando.


Algumas vezes vou à superfície para contemplar o pôr-do-sol, o amanhecer também. Só que logo sinto a vontade de voltar, porque pra mim, mergulhar se tornou necessário.






Gabriel Revlon

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Nossa Geração


 Nossa geração ama a superficialidade. As pessoas fazem o mínimo, seja no trabalho, seja na escola, seja nas universidades, seja na política, seja nos relacionamentos, etc. Será que essa geração acredita que fazer tão pouco - o mínimo - é o bastante? Parece-me que sim!
As pessoas buscam pouco, pesquisam pouco, lêem pouco, discordam pouco, questionam pouco e desconstroem  quase nada. Poucos tentam ir além e julgam ser insuportável  fazê-lo.
Com  a globalização e tecnologias vinculadas à informação, se torna fácil encontrar fontes Prontas de ”conhecimento”, como : trabalhos escolares feitos, monografias copiadas, pesquisas prontas, resumos dos outros, além de outros ... Onde ficou nossa sede pelo conhecimento?
A internet tem um mundo de informações em músicas, vídeos, conferências ao vivo, livros digitalizados, obras de arte, dentre outros milhares de benefícios da graciosa tecnologia do nosso século. Porem as pessoas mal lêem um livro inteiro. Elas começam empolgadas, continuam menos empolgadas e logo desistem. Pergunto-me, por que tanto desinteresse ?       
Os jovens, que normalmente têm em si o espírito revolucionário, que buscam a desconstrução e então a formação de novos valores  democráticos, estão deitados em frente as TVs, em frente aos computadores, em festas, etc. Não que essas ações  sejam horríveis ou que não existam jovens que sejam revolucionários ou  que seja necessária a condição de Vanguarda à juventude, Não ! Mas aquela busca por uma faíscas de pensamento, daqueles que pegam fogo, queimam no ar, explodem e contagiam as pessoas, tudo aquilo que  faz da juventude uma fase marcante é pouco visível nos nossos dias. Quem os acomodou ?
Parece-me que não é só a comida que é empacotada, instantânea, de rápida digestão. Acredito que isso também ocorra com as informações e com a formação do conhecimento. Onde estão os estudantes adolescentes com visão integrada de mundo, com capacidade de ler bem um texto e debater sobre um assunto x? Há quem diga, mas isso é um Saco, Como já ouvir muitas vezes. É um saco Fazer exercícios de casa, é um saco ler as questões das provas com texto grande, é um saco ler um livro na escola ou em casa, é um saco querer aprender ... será que os vícios do consumo – Tudo Chega Fácil e prático – não estão danificando a aprendizagem dos adolescentes ?
E os professores , como estão ensinando nas escolas do país, como estão sendo tratados pelos alunos, como são vistos pelos alunos, quantos aplicam nas salas de aula o que aprenderam nas universidades a cerca de práticas pedagógicas relacionadas ao ensino e à aprendizagem dos seus alunos, quantos são bem remunerados, quantos não queriam ensinar ?
A nossa sociedade é reflexo de tudo isso. É essa nossa complexa sociedade que caminha em direção às facilidades, fugacidades, praticidades do sistema de consumo – não que todas sejam nocivas -. Porque esse amor pelo menor esforço e pela superficialidade?
 Isso não é um fatalismo, claro que existem muitas pessoas que fazem diferente, buscam, inovam e tem sede de conhecimento. E existem as que não querem nada disso por opção, o que é um direito deles. Existe muito mais do que conhecemos. Mas sei que poderíamos fazer muito mais por nossa geração. Sinto falta de muitas coisas. Sei que podemos fazer muito melhor, porque merecemos um mundo melhor. Isso soa utópico, mas por incrível que pareça, até das utopias de um mundo perfeito para todos eu não escuto há muito tempo. Amadurecemos mais, Perdemos a essência, inovamos, regredimos ?
O que é essa nossa geração ?


Gabriel Revlon

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Quando penso em você, Poesia.

Quando penso em você penso em poesia


Quando lembro de sua boca, nostalgia

Quando fecho os olhos encontro seu abraço, e me sacia

Quando me lembro de você, embora distante, sei que ainda te verei... espero... o dia

Quando sei que o dia acabou eu repenso o dia e quando não escuto – sua voz - é como se faltasse a sua poesia

Quando penso em você eu me liberto do meu racional e entro num mundo sentimental...

As vezes vejo na desordem a organização das coisas.

Vejo que eu sou a parte de um todo e que preciso de outra parte...

Quando se ama, tudo passa a existir. E quando já existe, então o que era muito pequeno passa a ter um grande sentido...

Hoje sinto o vento, a brisa, as palavras, os conselhos, as notas de uma música...

Sinto que ainda estou aprendendo e reconstruindo...

E quando vou dormir, sei que o novo dia está chegando...

Quando penso em você sei que essa parte que ainda não conheço pode ser a minha construção, ou a simples espontaneidade de um sentimento...

Quando penso em você...... ah! Quando penso em você...


Gabriel Revlon

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

A sociedade e o Crime organizado

 




Dizem por aí que o crime organizado forma sociedades paralelas, dizem também que essas sociedades são marginais, que são alienadas e que tudo isso é consequência  da exclusão social. Acredito que não é bem assim.
Primeiro pelo conceito de “paralelas”, segundo a matemática, retas paralelas não se cruzam, mas quando se tratam das sociedades do crime, elas não só se cruzam com o meio social como também estão contidas nele.  Sociedade do crime é tida como um meio marginal ao meio social . Porem as semelhanças de modelo dessas sociedades são muitas. Seja na organização hierárquica: traficantes, laranjas, usuários, informantes, simpatizantes, etc. Seja na formação ideológica: o sistema de consumo com  vendas, lucros, dívidas, parcerias,etc.
Segundo porque marginal conota exclusão social, mas o que vemos nos jornais é o contrário. O mundo do crime está ao lado, e não à distância. Pessoas de “bem” são presas por envolvimento nas diversas formas de crimes sociais. Seja por roubo, seja por estupro, seja por tráfico, seja por corrupção política, seja por desvio de verbas públicas, etc.
Quem forma as sociedades do crime afinal, será que eles tem uma cara, será que eles tem cor, será que eles tem credo, será que eles andam desenformados, será que são tão desorganizados, marginalizados, alienados e paralelos?
A sociedade do crime organizado veste terno, usa grife, tem avião particular, tem carro do ano, veste saia, passa fome, advoga, presta socorro, canta, investe... Será que estudar, trabalhar, criar um mundo melhor ainda é sedutor?  Quantas crianças em escolas públicas estudam sem perspectiva de futuro, quantas em escolas particulares usam drogas ou simpatizam pelo mundo “alternativo” do crime?  Ou seja, os sistemas de base da nossa sociedade estão envolvidos por possibilidades, boas ou não. Quando se trata da busca dos adolescentes por adrenalina, por uma vida “alternativa”,” por sexo, drogas e rock”,  ou até mesmo pela simples curiosidade, cruzam a sociedade do tráfico que é uma subdivisão do crime organizado. Quando os jovens buscam o primeiro emprego e vêem no tráfico uma melhor forma de ganhar dinheiro. Quando os nossos homens públicos, sejam da polícia, política, órgãos do governo, facilitam o transito do crime organizado. Quando vemos tudo acontecendo ao nosso lado e agimos como se fosse algo banal, também estamos ajudando indiretamente a manter essa tal sociedade. Em fim, todos estamos envolvidos direta ou indiretamente.
Contudo colocar a culpa em alguém é mais fácil, mais barato, e além de tudo não mancha a nossa linda reputação. Dar nomes aos bois é a fuga quase perfeita. Eles são Marginalizado -não se misturam conosco -, eles são paralelos -não se cruzam conosco -, eles são bandidos – não são homens de bem -, eles são os outros – não somos nós - .
Qual é mesmo o conceito de sociedade ?
“Em Sociologia, uma sociedade é o conjunto de pessoas que compartilham propósitos, gostos, preocupações e costumes, e que interagem entre si constituindo uma comunidade.”
“Em Biologia, sociedade é um grupo de animais que vivem em conjunto, tendo algum tipo de organização e divisão de tarefas, sendo objeto de estudo da Sociobiologia.”
Até quando vamos negligenciar às nossas obrigações sociais? Porque manter distante os problemas que são nossos? Acredito que para solucionar problemas como o do crime organizado, problemas na saúde, problemas no ensino, dentre outros, devemos VER de forma diferente nossa sociedade, de forma mais inclusiva, VER nossos erros, VER como podemos melhorar, VER que o bem social depende do individual, da coletividade e da solidariedade.
Somos todos UM. Uma unidade com coisas boas e ruins.

Gabriel Revlon